…viva a boa vida!

Por cá chamam-lhe o segredo dinamarquês para a felicidade, mas de segredo parece-me ter pouco se percebermos que se tratam de coisas bem banais até. Eu própria, neste preciso momento estou a ter um momento hyggelig – refastelada, pernas em cima do sofá, mantinha por cima das pernas, gata por cima da manta, a desfrutar de um chá de gengibre e hibiscus como se fosse a última coisa a fazer em vida. Se eu poderia estar a fazer o mesmo à secretária? Poderia, mas não saberia ao mesmo, e é aí que quero chegar.

“O HYGGE TEM TUDO A VER COM A FORMA COMO VIVEMOS AS COISAS”

Meik Wiking, dinamarquês, 38 anos, CEO do Happiness Reasearch Institute

O busílis está no Conforto Consciente que o conceito reflete. Muito relacionado com as tradições dinamarquesas, com atividades ou com objetos cujo valor é sobretudo sentimental. Dizem os entendidos que “Tomar chá na chávena da avó pode ser muito hygge” se a isso associarmos as boas recordações e os sentimentos nostálgicos que o momento acarreta.

Viver de forma consciente e intencional…

Oh! como tudo se tem tornado consciente nos últimos tempos! Será que andamos esquecidos de nós próprios e precisamos de tradições de outros para lembrar? Somos agora ensinados a cada livro que nos temos que conectar novamente com o mais essencial – nós próprios, nos mais corriqueiros movimentos da vida, do comer, ao respirar passando pelo dormir. A mim parece-me muito bem, espanta-me o ruido à volta daquilo que deveria ser per si natural, e que para mim é muito wellness!

Hygge . . . is the Danish word for cozy. It is also a national manifesto, nay, an obsession expressed in the constant pursuit of homespun pleasures. The Times.

 

 O que o Hygge nos vem lembrar…

…que da mesma forma que no inverno apetecem coisas quentes aos dinamarqueses, a nós em Portugal apetece-nos uma imperial ou um gelado na esplanada e sabemos disfrutar disso na mesma proporção!

…que devemos estar conectados conosco, com os outros, com o que rodeia e com o que preenche.

…que devemos valorizar o momento e dedicar um tempo diário à nossa pessoa, ao que nos faz sentir bem e aos que amamos.

 

…que devemos abrir as portas de casa. Por motivos óbvios à condição climatérica da Dinamarca, nem sempre é prático disfrutar do ar livre ou de um passeio pelo parque. Cá em casa, abro as portas da rua para apreciar o luar, tomar o pequenos-almoço ao sol ou disfrutar de um churrasco com amigos e passar um tempo hygge no terraço.

…que nos podemos eternizar no sofá, de lareira acesa, e meias grossas calçadas. Concordo e não me chateia nada!

…que é essencial criar ambiente. Que devemos cuidar da iluminação para que seja acolhedora, por uma boa música de fundo, e acender as velas. Umas flores frescas sobre uma mesa de madeira com uma toalha bem colocada, ajudam a conseguir um toque especial, uma delicia para o espírito.

…que devemos evitar tocar em temas bicudos quando juntamos pessoas para passar um tempo hygge. Nada de falar de política ou de assuntos que podem causar tensão. É para estar em harmonia, ter um momento agradável de paz, por isso é proibido pensar em trabalho, nos problemas, no stress diário e na pressa. A televisão, o iPad e o telemóvel também são para deixar de lado.

 

…que deves apreciar a comida que te faz lembrar a tua infância, porque o hygge tem também muito de nostalgia. E se não for isso,  pode ser um bom vinho, ou um chocolate quente, degustado à luz das benditas velas.

 

“É importante que vivamos bem; não importante apenas para nós ou para qualquer pessoa, é apenas importante.” Ronald Dworkin, New York University, 2011

O que são as coisas hyggelig?

Embora o hygge tenha mais a ver com desfrutar do que com os atos e as coisas em concreto, a ideia é conectar com a boa-vida, com aquilo que fazemos em prol de um conforto pretendido. Várias escolhas em troca de prazer sem culpa. Chamam-lhes dicas para a felicidade,  a mim parecem-me escolhas que promovem a conexão suprema com o prazer de viver e partilhar momentos, com recurso a muito pouco, para além da simplicidade.

 

A vida boa não é algo de genérico, fabricado em série, mas só existe por medida. Cada um precisa de a ir inventando de acordo com a sua individualidade, única, irrepetível… e frágil. No que se refere ao bem viver, a sabedoria ou o exemplo dos demais podem ajudar-nos, mas não substituir-nos.» Fernando Savater, Ética para um Jovem, Editorial Presença, pp. 117-118


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