Coaching. Na Saúde e na Doença.

Gerir uma doença crónica é desgastante e complexo. Consome o tempo de muitos, tem custos para todos. Diretos, indiretos, intangíveis, insustentáveis. Considerando que as doenças crónicas são permanentes, produzem incapacidade/deficiências residuais, são causadas por alterações patológicas irreversíveis, exigem uma formação especial do doente para a reabilitação, ou podem exigir longos períodos de supervisão, observação ou cuidados (OMS). É preciso fazer algo. Que tal Capacitar e Empoderar? Estas têm-se tornado palavras de ordem nas políticas de Promoção da Saúde. É preciso redefinir o papel e a responsabilidade de cada um no seu estado de saúde / doença, mas é também preciso redefinir a abordagem do profissional de saúde. Investe-se na Literacia dos cidadãos, mas é preciso (sobretudo) apoiar a mudança do doente. Pretende-se que este esteja confiante, preparado e motivado para fazer o que deve. Mas não está, e por isso não faz. Muitos doentes crónicos precisam de, primeiro, entender e aceitar a sua condição e consequências para, só depois, participar ativamente na gestão da sua doença/saúde. A transição necessária para o modelo de autogestão da doença é por isso delicada. E deve proporcionar, para além da informação, os mecanismos de mudança e de transformação implícitos. Segundo a Revista Portuguesa Saúde Publica (2011), os programas de Auto-gestão da doença são prática corrente em países como a Inglaterra, Austrália, EUA e aí assumem um objetivo comum – a alteração comportamental positiva, com consequente redução dos custos na Saúde. Em Portugal, a maior parte dos cuidados nos sistemas de saúde está estruturada de forma reativa aos episódios agudos da doença. Deste modo, a resposta às necessidades multidimensionais dos doentes com uma ou mais doenças crónicas representa um dos principais desafios para o sistema de saúde do século XXI. Os avanços neste setor exigem que os marcos conceptuais vigentes se transformem para dar lugar ao novo paradigma de cuidados centrados no doente, em que este assuma um papel ativo no controlo da sua doença, através do estabelecimento de um plano de ação individualizado e o apoio na resolução de problemas.

Como é que o Coaching em Saúde ajuda na Doença? O Coaching para a Saúde ou Health Coaching é uma estratégia de auto-gestão com reconhecimento crescente nas iniciativas de educação para a alteração dos comportamentos de saúde (Pearson et al, 2007), e constitui uma abordagem que vem sendo validada por instituições como a Harvard Medical School. Fortalece o comprometimento para alterações de estilo de vida, aumenta a autoestima e autoeficácia, melhora comportamentos relacionados com gestão emocional, nutrição, gestão de peso e adesão aos tratamentos. O profissional (ou coach) envolve-se com o paciente (ou coachee) em interações focadas nas preocupações do paciente, e onde este é ouvido e apoiado a ultrapassar as suas dificuldades. Nesta abordagem existe uma alteração do papel diretivo do modelo médico, para um papel colaborativo com o doente no estabelecimento das suas estratégias. Para tal combina os princípios e skills de diversas escolas de alteração comportamental. como:

  • Autoeficácia, definida como perceção de capacidade do individuo face a determinados comportamentos em determinadas situações e dirigidas a objetivos específicos (Bandura,1977).
  • Modelo Transteórico para a mudança, que propõe estádios ou fases para a mudança no indivíduo (Prochaska & Velicer,1997) e que identificar em que fase o indivíduo se encontra no seu processo de autogestão contribui para a aplicação das técnicas adequadas.
  • Entrevista Motivacional, é uma abordagem de counseling centrada no cliente mais do que um modelo teórico. Recorre ao modelo anterior e explora a ambivalência face à mudança (Rollnick & Miller,1995)
  • Terapia Cognitivo Comportamental, os clientes podem desenvolver pensamentos positivos, o que altera as suas emoções e sentido de autoeficácia.

Dos pressupostos que definem o Coaching para a Saúde destacamos que:

  1. o doente é a melhor fonte de informação para as estratégias de alteração comportamental
  2. a informação é facultada quando este está preparado
  3. os objetivos são alinhados com a sua visão de saúde e valores pessoais
  4. o ênfase é dado no como mudar, não no porque existem os atuais comportamentos
  5. os planos são estabelecidos considerando como lidar com obstáculos/dificuldades
  6. o Coach reforça a autoresponsabilidade do doente recorrendo aos seus valores
  7. só o doente pode escolher os objetivos mais motivadores
  8. são estabelecidas prioridades em função de uma visão a longo prazo e o que é relevante para a vida do paciente
  9. a paciência e fé no paciente são fatores críticos no estabelecimento da confiança na relação de coaching
  10. Coaches estabelecem pontes entre alteração comportamental e o propósito de vida do paciente

Como abordagem centrada no cliente, resulta do entendimento das fases de um processo de mudança. Pela utilização de determinadas técnicas (Comunicação Não Violenta, Entrevista Motivacional, Mindfulness, Inquérito Apreciativo, Balanço Decisional, entre outras) proporciona-se ao doente a possibilidade de explorar a sua relação com e na Doença, para além das mudanças que esta lhe impôs. Desconstroem-se mitos, banem-se monstros, arruma-se a vida de outra forma, para ganhar mais do que se perdeu. e tu já tens um Coach?

Referências Bibliográficas: *Revista Portuguesa Saúde Publica vol.29 no.2 Lisboa jul. 2011 * Observatório Português dos Sistemas de Saúde – Gestão da Doença – O Caso da Doença Crónica. 

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